terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um requerimento


De todos os requerimentos CPL em dois anos há um que, pelo resultado final caricato, serve de paradigma do estado camarário acumulado de décadas, que convém corrigir sob pena de não se fazer a diferença. A história resume-se em três pinceladas:

Alertado por terceiros tomei conhecimento do Proc. Nº 440/EDI/2006 (“Processo Reabilitante Em Curso”) para o edifício da antiga engomadoria Ramiro Leão, na Travessa da Pena, edifício registado no Inventário Municipal do Património (nº 24.65) e IIP, diga-se, por causa, claro, não só da fachada em tijolo mas do seu recheio arqueológico industrial. O prédio esteve abandonado anos a fio e o desfecho só poderia ser um:

Projecto de alterações/demolição/construção nova sob a forma de “recriação do edifício original” mas com “ligeiras” diferenças de pormenor entre elas um aumento de cota altimétrica, o que provocou um primeiro parecer negativo do IPPAR, a que se seguiu um positivo condicionado, desde que se mantivesse a fachada bem como a "sua volumetria e ritmo de fenestração’ (grande achado!). Os protestos então apresentados por alguns moradores e pela Junta de Freguesia, esses cairiam sempre em saco roto.

Voltando ao alerta do morador, a questão era evidente: a construção que estava em curso não respeitava minimamente o projecto aprovado, já que às fachadas nem vê-las, o recheio, idem, e a volumetria do que crescia pouco tinha que ver com o que lá estava antes. Daí o requerimento CPL de Novembro de 2008.

Ora, passados que foram cinco (!) meses sobre o mesmo, em Abril de 2009, eis a resposta clara dos serviços: embargue-se!

Contente com o resultado da coisa, alertei quem me havia alertado e fui ver a coisa. Tiro pela culatra. O prédio já estava concluído e neste momento está em venda.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O remake

A campanha autárquica nas televisões parece um remake da campanha legislativa. Em vez dos candidatos autárquicos, a primazia é dada aos chefes de partido que nem sequer são candidatos.
Compreendo que seja mais fácil para os media “cobrir” cinco líderes do que tentar dar um panorama da multiplicidade de 309 campanhas. Mesmo assim parece-me excessivo o tempo de antena dado diariamente aos cinco líderes.
Bem podem as campanhas locais agitar-se por esse país fora. Bem podem estar a acontecer no terreno episódios criativos, campanhas diferentes, disputas aguerridas. O que os telejornais nos servem é ainda o epílogo das legislativas, reduzido a dois temas repetidos à exaustão: o conflito entre o PM e o PR e a muito anunciada disputa de liderança no PSD.
Este processo redutor é ampliado pela formatação do relato televisivo da campanha. Apanha-se uma frase de um lado e espeta-se o microfone à frente do outro a pedir uma “reacção”. Assim se constrói um discurso desinteressado dos programas, puramente virtual nos duetos ou duelos que tenta montar. Assim se privam as pessoas da informação mais detalhada que tinham o direito de receber.
Chego à conclusão que o melhor programa de informação política é, neste momento, o “Gato fedorento esmiúça os sufrágios”. Com uma enorme vantagem: está a aproximar os jovens da política, pela via da crítica, do humor e da irreverência. “Chapeau!”

Helena Roseta

sábado, 3 de outubro de 2009

O drama de uma homem só

Onde é que está a equipa de Santana? Alguém os conhece? Alguém os viu nalgum cartaz? Como é que é possível que uma coligação de 4 partidos 4 só tenha uma cara para mostrar – o Pedro, o Pedro e só o Pedro?
Aqui está mais uma das grandes diferenças entre a candidatura de António Costa e a de Santana Lopes. Deste lado uma equipa de pessoas cujos percursos profissionais e cívicos falam por si; do outro, um homem só, que nem foi solidário das equipas que fez e desfez no passado, nem consegue entender o que significa trabalhar com outros. Por isso critica as “divisões” entre as pessoas da lista UNIR LISBOA. Para os egocêntricos, é sempre muito difícil lidar com a diversidade de opiniões e com o espírito crítico. Com uma agravante: é que mais uma vez o Pedro não acerta nos números. Nunes da Silva, especialista em transportes, é o oitavo da nossa lista, não o sexto; Sá Fernandes é o quarto, não o quinto; e Lisboa perdeu 300.000 habitantes em 30 anos, não em 20.
Não haverá quem lhe faça umas cábulas para ver se acerta?

Helena Roseta

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Mouraria está a mudar


O banho de multidão que a candidatura UNIR LISBOA ontem recebeu na Mouraria foi para mim uma experiência extraordinária, porque inesperada. Decerto reflecte muita coisa, como o trabalho paciente e inovador que a Manuela Júdice desenvolveu ao longo dos últimos meses e que culminou com a iniciativa TODOS dentro do bairro. Mas também mostra que não podemos desistir de nenhuma parte da cidade.
O bairro, que tem tantos problemas de inclusão e regeneração, está a transformar-se dia a dia e a energia social que nele se começou a organizar está a dar frutos. A Associação "Renovar a Mouraria" levou-nos a uma viagem imaginária pelo bairro medieval mourisco no sábado passado. Fui lá e aprendi muito. E a Casa da Achada – Centro Cultural Mário Dionísio celebrou ontem o seu primeiro aniversário, com uma pequena multidão fascinada com o que a Eduarda Dionísio, com a sua tenacidade e visão pioneira, está a fazer no coração da Mouraria.
É por estas coisas que vale a pena lutar. E, se puderem, passem pela Casa da Achada, na Rua da Achada, ao longo desta semana. Vale a pena e vão gostar.

[b]Helena Roseta[/b]

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma proposta



Talvez por ser das primeiras, talvez porque já acompanhara, por outra via, o tema muito antes de a formalizar; a verdade é que a proposta sobre a antiga Vila Manuel Bernardes (http://www.cidadaosporlisboa.org/index.htm?no=50400000947,054), na Penha de França, foi das que mais regozijo me deu fazer mas também que maior frustração me dá por não a ver implementada passados quase dois anos da sua aprovação em reunião de CML, aprovação arrancada a ferros, aliás.

Esta proposta tem por base uma ideia/projecto de arquitectura paisagista, ainda por cima feito por moradores no bairro (em baixo algumas das imagens virtuais do projecto da autoria de Nuno Almeida e Lília Coelho) e merecedor de um Prémio Jovem Arquitecto Paisagista, e não percebo, sinceramente, uma vez até que a CML dignificou recentemente o miradouro vizinho; não percebo, dizia, como não se resolve de vez este problema que mais não é do que o resultado de anos e anos de especulação imobiliária.

Esta zona e estes terrenos merecem uma acção de campanha eleitoral e muito mais do que isso em pós-eleições. Este bairro precisa destes terrenos livres sob a forma de jardim. Façamos a diferença.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pedalar à conta de outrem


Sexta feira passada a “Massa Crítica” foi uma festa. Mais de 170 ciclistas, de idades várias, concentraram-se no Marquês de Pombal a convite daquele movimento e pedalaram juntos pela cidade. Foi a maior concentração de sempre em dia de sexto aniversário do movimento. Participei com prazer, pois andar de bicicleta em Lisboa tornou-se para mim uma companhia e uma necessidade.
Houve no entanto um detalhe que não posso deixar de comentar. Enquanto nos juntávamos todos, um autocarro de matrícula espanhola, enfeitado com as cores da candidatura de Santana Lopes, veio pôr-se à nossa frente. Estava vazio. Como não sou paranóica pensei que estava simplesmente a estacionar em local onde mais autocarros estacionam, ao pé do Parque Eduardo VII. Mas quando arrancámos para as primeiras voltas à rotunda do Marquês, o autocarro veio atrás de nós e foi-se embora. Moral da história: Santana Lopes quis pedalar à conta do seu motorista. Não foi bonito. A “Massa Crítica” é um movimento livre e independente. Mas é de ciclistas, não de autocarros de campanha.



Helena Roseta

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

E prontos.

Em hora de balanço camarário (confesso que prefiro mais o "balancete", a radiografia momento a momento) há duas ou três coisas que tenho de referir no que toca à minha imensamente grata experiência pessoal enquanto assessor no Gabinete CPL desde Jan.08, sendo que a primeira é por inteiro para o gabinete, ele mesmo, que, pelo que já conhecia e fiquei a conhecer dos outros gabinetes, acho, muito sinceramente; fez realmente a diferença e para melhor, em todos os sentidos, mesmo todos, a começar pelas pessoas, claro, que eu não conhecia, e logo aí pelos 3 impecáveis e prestáveis funcionários da CML que o compuseram (tenho a certeza que nos outros gabinetes foi bem diferente), D. Eva, Marília e Sr. Valente - julgo que não se importarão que os mencione.

Em segundo lugar, as portas abertas do gabinete, todos os dias, às mil e uma pessoas que nos fizeram chegar pessoalmente outros tantos problemas e situações, reclamações e sugestões, tão importantes quanto quase sempre ignoradas pela máquina camarária; facto que nos fez desencadear uma resma de propostas, requerimentos e eu sei lá mais o quê (e logo escrevinharei algo sobre isso) com o fito de lhes dar a respectiva resposta positiva, não tanto a resposta pela resposta, para efeito estatístico do fazer de conta, mas muito mais que isso. E saber que, por mais ínfima que tenha sido a minha quota parte nessas respostas, eu contribui para que haja agora a perspectiva real de a CML agir sobre esses assuntos, faz-me sentir com o dever cumprido, passe a lamechice.

Finalmente, a independência que sempre me foi dada pela Arquitecta. Sei que fui um assessor demasiado picuinhas com os projectos de urbanismo, com o espaço público e demais coisas do dia-a-dia (comezinhas para alguns), e sei que terei sido incómodo para alguns. Mas uma coisa é conhecer o seu percurso de frontalidade e independência pelos jornais e pela tv (e só a conheci pessoalmente aquando da sessão de lançamento da candidatura no Cinearte, há pouco mais que 2 anos) e outra, bem diferente, é reconhecê-las no dia-a-dia. Estou-lhe grato por isso, pois duvido que qualquer outro Vereador (ainda para mais político) o tivesse permitido, e, como tantas vezes aconteceu comigo, incentivado a sê-lo. E isso é inestimável.